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23 abril 2011

Viagem de feriado

Tive uma ideia perfeita para a viagem do feriadão da páscoa e Tiradentes. Todo paulistano vai sair o mais cedo possível após o trabalho, e vai pegar aquele típico movimento de véspera de feriado... menos eu. Vou descansar quando chegar em casa, e pegar o carro só lá pelas duas da manhã. Assim, além de evitar o “rush” de São Paulo, vou pegar as rodovias mais tranquilas. Mas que ótima ideia a minha, só não sabia que metade do pessoal também iria pensar assim. Levei duas horas para chegar em São Bernardo, fora o medo de presenciar aqueles arrastões que nunca pensamos que vamos ser figurantes.

Chegando na bifurcação “Anchieta ou Imigrantes” bate a dúvida, mas logo raciocino melhor e decido: “Vai estar tudo igual, e sendo assim, a Imigrantes é bem melhor.” Acho que foi a única decisão sensata dessa viagem, porque quando saía dos túneis olhava pra Anchieta lá do outro lado e verificava a mesma realidade. Considerando 100km percorridos entre origem e destino, 4 horas significaram algo bastante tedioso e irritante.

Eu nem pensei em dormir quando cheguei na casa que tinha alugado, olhei para aquele colchão que na foto parece um “King Size”, mas na verdade é mofado e muito mole, e perdi completamente o sono. Além disso, chegaria cedo na praia e conseguiria um lugar que pudesse ver o mar. Peguei meu pequeno guarda-sol e uma cadeira de praia, aquele isopor típico de todo brasileiro, e fui para a batalha.

A praia estava um beleza, o sol nascendo, alguns poucos loucos como eu, e o que mais queria ver: o mar. Montei acampamento a uns 20 metros da água e lá adormeci. Só acordei com o maravilhoso cheiro do “choripan”, aquela chapa encrostada de gordura e areia e... Meu Deus! O que fazem esses 50 guarda-sóis na minha frente? Eram só vinte metros pro mar, com visão livre e espaço em volta, mas agora nem consigo ver o mar e tem varetas do guarda-sol  do lado cutucando minha orelha. Eu vou embora daqui.

E foi assim que não peguei movimento algum na viagem de volta.



Gabriel Vivan


Praia do Guarujá, hoje (23/04)

18 abril 2011

Crônicas


Nada melhor para retratar o cotidiano do que escrever crônicas, que serão regularmente publicadas, e todas de nossa autoria. Todos os personagens descritos nelas serão fictícios.

Executivo aéreo

Estava mais uma vez indo a São Paulo à negócios, por isso, o avião era o meio mais prático e eficiente de se chegar... atrasado. É o que todos dizem quando vão voar, ou perdem algum voo. Nada que fuja à realidade, mas de qualquer forma, o avião é realmente o meio mais cômodo e tranquilo para uma viagem de tal gênero. Londrina é realmente boa no aspecto de cidade aspirando crescimento, e não tem aquele fervor comum a todos no dia-a-dia paulistano, então aqui podemos sair com 1h de antecedência ao voo que não o perdemos.

Olhei para o céu, bastante nublado, e já fiquei preocupado... O único problema de ser um aeroporto menor é a falta de equipamentos necessários para pousos e decolagens com mau tempo. Chamei os novos taxis vermelhinhos, padronizados por charme, e o taxista só pela minha expressão facial e a preocupação com o céu já adivinhou meu destino.

No percurso, ouvi aquela conversa que ele deve ter com todo passageiro que irá voar num dia de chuva: "Esse aeroporto parece mais é rodoviária! Nunca vi um negócio desses... faz 20 anos que trabalho pro aeroporto e desde que comecei ficam prometendo ILS. Isso não vai sair nunca!" E como sempre, concordo, digo que é absurdo, e a corrida até que acaba logo. Então vejo seu sorriso de saber que terá novos passageiros, já que o voo anterior foi cancelado.

Graças ao cancelamento surge em todo o saguão uma reviravolta tão comum que os funcionários da companhia, antes de soltarem o "CANCELADO", já se preparam psicologicamente para as reclamações dos passageiros que acham que Seu Pedro não pode ter nada a ver com o cancelamento. Aí sobem para o terraço, olham para pista, e falam: "Ahh... dá pra pousar sim, eles cancelaram porque... porque... ahh cancelaram de bobeira". Então está explicado.

Bom, só sei que na uma hora que fiquei observando a cena, o tempo abriu e meu avião pousou, evitando assim um tumulto ainda maior no nosso enorme saguão. E após um voo bastante calmo, avistei a Grande São Paulo, ou melhor, seus congestionamentos, bastante visíveis de Congonhas. Ao sair do avião, respirei aquele ar puro e natural paulistano, e me recordei com bastante alegria do meu dia de volta.


Gabriel Vivan